Três redes falam de estratégias e expectativas para 2021

Postado em 20 de novembro de 2020 por

Elas estão confiantes, mas não deixam de fazer a lição de casa para evitar imprevistos

Não há PIB negativo que tire a confiança dos supermercadistas nordestinos nos bons resultados do próximo ano. Favorecidos pela pandemia (apesar das dificuldades enfrentadas), os varejistas acreditam que 2021 vai, na pior das hipóteses, repetir 2020. O que é muito bom já que a base de comparação deu um salto. Mas não se trata apenas de confiar no consumo. Na verdade, a maioria concorda que o comportamento da economia e do shopper ainda deixam dúvidas sobre o que vai acontecer. O que mais pesa na confiança dos empresários são as próprias estratégias, o incrível poder de adaptação (que surpreendeu a eles próprios), além dos investimentos certos, no tempo certo, sem estraçalhar com o fluxo de caixa.

Certamente essas expectativas não são comuns a todos os varejistas do Nordeste. Mas muitos deles estão se preparando para dias ainda melhores. Veja o que os líderes de três redes esperam para o próximo ano:

Mais negociações centralizadas

rede Nordeste, central de negócios com 54 lojas em 27 municípios, espera um crescimento de 20% no próximo ano, perto dos 19% estimados para este ano. Até agosto, a associação já tinha registrado alta de 12% e projetava um faturamento de 2,2 bilhões de reais. “Fomos beneficiados pelo fechamento de restaurantes, que desviou o cliente para o consumo doméstico, mas também pelo empenho de cada empresário no atendimento ao consumidor”, acredita Dornelas Jr. , diretor executivo da central. As empresas, que operam nos Estados do RN, PB e PE (duas por Estado), têm reformado ou ampliado suas unidades, organizado melhor a exposição e adotado práticas de gestão mais produtivas. O grande desafio para o próximo ano será enfrentar a concorrência do atacarejo dos grandes players nacionais que se espalham pela região. Porém Dornelas lembra que alguns empresários da rede já estão investindo no formato, enquanto outros procuram ser imbatíveis no modelo vizinhança.

O plano para o ano que vem é inaugurar uma unidade e transformar outras em atacarejo. “Por enquanto estamos desenhando a estratégia”, comenta o diretor executivo.

Já as oportunidades, segundo Dornelas Jr. , são inúmeras. Além da melhoria contínua nas operações, queremos marcar novas conquistas na área comercial. A rede está mapeando novos fornecedores com os quais possa negociar diretamente, sem intermediários. Esse processo já vem sendo feito e a ideia é torná-lo cada vez mais robusto. Hoje, por exemplo, a compra de maçãs é feita direto com um produtor gaúcho, o que garante maior competitividade no preço. As entregas vão para o CD de cada empresa associada. “O importante é centralizar o máximo possível as negociações (o pedido sai de cada empresa) para garantir volume para indústria e bons preços para os associados”, diz Dornelas Jr. No ano que vem, a central quer ampliar o mix de importados e estabelecer novas parcerias com fornecedores nacionais.

Reinvestindo no próprio negócio

“Se as vendas crescerem em cima da base de 2020, teremos um 2021 fantástico”, diz João Andrade Nunes (foto abaixo), um dos sócios da RedeMix , 14 unidades na Bahia. E arremata: “o supermercadista que se queixar desse momento, deve sair do negócio”. O empresário lembra que as vendas da rede avançaram em todas as lojas e em uma delas a alta chegou a 48%.

João faz a ressalva de que há incógnitas sobre o comportamento do consumidor e o fornecimento de algumas indústrias ao longo de 2021, o que certamente gera muita insegurança, mas afirma que a empresa tem custos sobre controle, caixa preservado, estrutura enxuta e baixo endividamento, o que diminui sua vulnerabilidade. “O que não significa uma gestão sem desafios, ao contrário,” acrescenta.

As dúvidas do empresário dizem respeito às mudanças no desempenho das categorias. Ele e os três sócios se perguntam se as vendas de chocolate, que cresceram 110%, continuarão em alta. Se os produtos de impulso do checkstand, que enfrentaram uma baita queda, voltarão aos patamares antigos. Ou se os ingredientes para preparo de bolo, que subiram  90%, se manterão em alta? Segundo João, o histórico de vendas já não faz sentido, o que dificulta as decisões, eleva o risco de ruptura de alguns itens e de excesso de estoque de outros. “Os pedidos à indústria continuarão cirúrgicos com base em dados da quinzena ou até da semana anterior”, comenta. O empresário lembra também que outras variáveis entrarão no cálculo de demanda. Uma delas será o desempenho de loja inaugurada em novembro e de mais duas, uma prevista para o primeiro trimestre e a outra para o segundo semestre de 2021. Também deverá entrar no radar o atendimento por e-commerce lançado no mês passado, porém com atendimento delivery desenvolvido durante a pandemia. Em algumas lojas, o delivery passou a responder por 25% das vendas.

Durante a pandemia, a rede contratou equipe para montar o e-commerce e toda a estratégia digital, além de pessoas para reforçar a operação. “Reinvestir no próprio negócio é uma das estratégias da companhia. A gente se prepara financeiramente e, em vez de se encolher, vai pra cima”, comenta rindo.

As estimativas são de aumento no faturamento: de R$ 650 milhões para R$ 750 milhões em 2021.

Ousadia com pés no chão

Aumento de 3 pontos percentuais na participação de mercado é o que o Mercadinhos São Luiz viu acontecer em 2020, mesmo sem e-commerce. Com lojas no Ceará, principalmente em Fortaleza, a rede foi surpreendida pelo salto nas vendas. Por oferecer produtos de maior valor agregado, imaginou que o consumidor se retrairia. “Graças a Deus o cenário foi bem mais positivo do que esperávamos”, comemora  Severino Neto, CEO da rede. Ele acredita que o fato de trabalhar fortemente com o conceito de saúde e já deter a confiança de clientes, funcionários e fornecedores, ajudou a rede a alcançar o bom desempenho. O cliente, segundo Severino, buscou melhores marcas e agregou valor às compras –  não podia ir no restaurante, então comprou o melhor vinho e os melhores ingredientes para preparar suas refeições. “Só para ter uma ideia é como se o Mercadinho São Luiz faturasse o correspondente à metade de uma loja pequena e passasse a faturar uma loja grande inteira”, compara o empresário. “Imagine se tivéssemos e-commerce?”, diverte-se.

A rede criou durante a pandemia o serviço “Separa”, um delivery em parceria com a Rappi , mas reconhece que ficou aquém do seu potencial. O e-commerce foi lançado recentemente, em outubro, primeiro em nível experimental, mas com os investimentos tecnológicos e operacionais necessários. “O nosso desafio será manter o mesmo jeitinho da loja física, a mesma qualidade de atendimento”, ressalva Severino. Ele comenta também que vai ampliar ainda mais a tecnologia aplicada à logística, para alcançar maior precisão no controle de estoque e no abastecimento das lojas e dos lares.

Projetos de expansão que ficaram paralisados pela pandemia foram retomados  – uma nova loja sai ainda neste ano e outras duas no primeiro semestre de 2021. Outro investimento é na bandeira Mercadão Loja Desconto, que já tem duas unidades em operação. Com os dados e insights dessas lojas, a rede lapida o formato. O conceito é de proximidade, com área média de vendas de 2 mil m, e a ideia é que seja tão competitivo quanto um atacarejo. “Sempre trabalhamos com público de alta e média renda e agora estamos abrindo porta significativa para população de renda menor”, comenta.  “Não há razão para pensar que 2021 será pior. É só ficar com olho de coruja, acompanhando tudo e sendo e sendo ágil”, afirma.

Fonte: SA.Varejo

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