Postado em 18 de junho de 2026 por sn-admin

Enquanto apartamentos de luxo encalham e registram pior nível de estoque em quase uma década, o MCMV acelera
nquanto apartamentos populares vendem com velocidade na capital paulistana, os imóveis de alto padrão acumulam estoque e chegam à sua pior fase em quase uma década.
Segundo relatório do BTG Pactual, unidades com mais de quatro dormitórios chegaram a 26 meses de estoque. Para imóveis de alto padrão acima de 180 m², o número ficou em 23 meses. Os dois patamares representam o pior nível desde 2017.
Assim, dentro do próprio segmento, a piora foi mais acentuada nas unidades maiores e mais caras, acima de três dormitórios e com preço acima de R$ 2,1 milhões.
Em termos práticos, isso significa que, no ritmo atual de vendas, levaria mais de dois anos para zerar o que está disponível no mercado — sem lançar mais nada.
“Mantemos uma postura mais cautelosa em relação às construtoras de imóveis para famílias de alta e média renda, dado o cenário macroeconômico mais desafiador (ou seja, altas taxas de juros de hipotecas), que se reflete cada vez mais em uma dinâmica de demanda mais fraca”, dizem os analistas Gustavo Fabris e Gustavo Cambauv.
“Por outro lado, o segmento de baixa renda permanece resiliente, apoiado por um microambiente favorável. A demanda subjacente sólida e os incentivos governamentais contínuos continuam a sustentar a atividade, compensando parcialmente a desaceleração mais ampla no mercado imobiliário”, completam.
Alto padrão encalha, MCMV acelera
Com base nos dados do Secovi-SP referentes a abril, os analistas apontam que imóveis do Minha Casa Minha Vida, que têm subsídio governamental e condições fixadas por políticas públicas, foram o motor do setor no período.
Em abril, esse segmento respondeu por 75% dos lançamentos e 69% das vendas, com velocidade de vendas de 12,1%.
Os especialistas citam ainda que a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) detalha um panorama que inspira cautela no setor imobiliário por conta de:
Juros altos
Aumento dos custos de insumos em razão da guerra no Oriente Médio
Menor disponibilidade de mão de obra e a redução da jornada de trabalho, que devem trazer pressão para o setor
PIB da construção civil reverte queda
O documento do BTG Pactual ainda detalha que o PIB da construção civil cresceu 1,2% ao ano e 2,9% no trimestre no 1T26, revertendo a queda de 2,4% do 4T25.
A CBIC atribuiu o resultado ao volume de lançamentos, aos investimentos em infraestrutura, ao orçamento recorde do MCMV e ao mercado de trabalho.
Para frente, a entidade vê pressão vinda de juros altos, custos de insumos (com a guerra no Oriente Médio) e redução da jornada de trabalho.
O índice FipeZap mostrou preços de imóveis subindo 5,6% ao ano em maio em termos nominais, mas apenas 0,9% em termos reais.
Em São Paulo e no Rio, os preços estão, na prática, andando de lado em termos reais, com queda de 0,4% e 0,6%, respectivamente.
Nos shoppings, as vendas caíram 2,9% ao ano em abril, revertendo a alta de 2,1% de março. A ABRASCE atribuiu parte da queda ao efeito calendário da Páscoa, que antecipou compras para março.
Fonte: Forbes

