Postado em 19 de junho de 2026 por sn-admin

Estudo da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias aponta que a mudança na jornada de trabalho terá impacto direto nos custos de mão de obra da construção civil, pressionando o valor final de lajes, casas e apartamentos.
O debate nacional sobre a PEC que propõe o fim da jornada de trabalho na escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso) ganhou um ingrediente de forte peso econômico. A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) divulgou um estudo técnico projetando os impactos que a alteração da carga horária semanal trará para a cadeia construtiva do país. Segundo os cálculos da entidade, a reestruturação da jornada de trabalho dos operários deve gerar um efeito cascata que culminará no aumento do preço médio dos imóveis residenciais e comerciais em patamares que podem chegar a 55%.
O setor alerta que a construção civil, por ser um segmento intensivo em mão de obra física e com cronogramas rígidos de entrega, será uma das áreas mais pressionadas pela nova legislação.
Por Que o Custo da Construção Deve Subir?
A engenharia financeira por trás da estimativa da Abrainc baseia-se na necessidade de readequação dos canteiros de obras para manter os prazos de entrega dos edifícios. Se a jornada semanal for reduzida sem a proporcional redução salarial, as construtoras enfrentarão dois caminhos principais para não paralisar o ritmo das construções:
Contratação de Mais Mão de Obra: Para suprir os dias ou horas em que os canteiros ficariam vazios, as empresas precisarão contratar mais operários (como pedreiros, serventes, carpinteiros e eletricistas), elevando os gastos com encargos trabalhistas, uniformes, alimentação e transporte.
Pagamento de Horas Extras: Caso optem por manter a mesma equipe trabalhando nos dias de folga previstos pela nova lei, o custo da hora trabalhada será consideravelmente maior devido aos adicionais de hora extraordinária exigidos pela legislação.
O Impacto no Bolso do Comprador Final
De acordo com os dados apresentados pela associação, a folha de pagamento e os encargos da mão de obra representam uma fatia expressiva do custo total de uma obra. Quando esse custo operacional sobe de forma acentuada, as incorporadoras repassam essa diferença automaticamente para o valor de tabela dos lançamentos.
O estudo aponta cenários de impacto variados dependendo da região e do padrão do imóvel, mas a média nacional projetada de aumento de até 55% acende um alerta para o mercado imobiliário em 2026. A preocupação das entidades do setor é que essa forte alta nos preços acabe dificultando o acesso da classe média e das famílias de baixa renda à casa própria, reduzindo o poder de compra do consumidor e desacelerando o ritmo de novos financiamentos habitacionais.
O Desafio da Produtividade na Era Pós-6×1
Para os líderes e gestores de engenharia, o grande desafio caso a PEC seja aprovada em definitivo será encontrar soluções tecnológicas para mitigar essa alta de custos. A industrialização da construção — através do uso de estruturas pré-fabricadas, automação de processos e softwares de gestão integrada — passará a ser uma estratégia obrigatória de sobrevivência para otimizar o tempo e tentar neutralizar, mesmo que parcialmente, o encarecimento da força de trabalho humana.
O mercado imobiliário acompanha de perto a tramitação da proposta no Congresso Nacional. A busca pelo equilíbrio entre o bem-estar e os direitos dos trabalhadores e a manutenção da viabilidade econômica de um dos setores que mais geram empregos no país será o tema central das discussões econômicas nos próximos meses.
Fonte: CNN Brasil

