Túnel Santos–Guarujá: as oportunidades para arquitetura, instalações, estruturas, paisagismo e interiores vão além da travessia

Postado em 28 de setembro de 2026 por

Com investimento estimado em R$ 6,8 bilhões, empreendimento envolve acessos urbanos, edificações operacionais e intervenções no entorno, abrindo perspectivas para arquitetura, estruturas, instalações, paisagismo e interiores.

▶ Assista ao vídeo e entenda, em pouco mais de 1 minuto, como o Túnel Santos–Guarujá pode transformar não apenas a travessia, mas também os acessos, o entorno urbano e as oportunidades para diferentes áreas de projeto.

Quando se fala no Túnel Santos–Guarujá, a primeira imagem costuma ser a de uma grande obra de engenharia instalada sob o canal portuário. A dimensão do projeto ajuda a explicar essa percepção: o investimento estimado é de R$ 6,8 bilhões e a estrutura será a primeira travessia imersa desse tipo no Brasil.

Mas o empreendimento não se resume ao trecho submerso.

O sistema também envolve acessos urbanos, prédios de acesso e instalações destinadas à operação. Essa abrangência amplia o olhar sobre o projeto e cria um campo de interesse para diferentes especialidades ligadas à construção e ao desenvolvimento urbano.

Arquitetos, engenheiros estruturais, projetistas de instalações, paisagistas e profissionais de interiores podem encontrar possibilidades tanto nas estruturas associadas ao túnel quanto em edificações, intervenções urbanas e projetos complementares que venham a surgir no entorno.

A principal atenção, porém, está em distinguir oportunidade potencial de mercado de contratação efetivamente disponível.

Projeto entra em uma fase que exige acompanhamento do mercado

Em setembro de 2026, a divulgação da participação da Quadrante no consórcio de apoio técnico à concessionária reforçou o avanço das etapas relacionadas ao desenvolvimento executivo, licenciamento complementar e preparação da obra.

O cronograma divulgado prevê o início da construção em 2027, a conclusão das obras e testes em 2030 e o início da operação comercial em 2031. As datas são previsões e permanecem sujeitas ao desenvolvimento do empreendimento.

Para escritórios interessados nesse mercado, isso significa que a preparação não precisa começar apenas quando o canteiro de obras estiver instalado.

O acompanhamento dos responsáveis pelos diferentes projetos, a identificação de especialidades complementares e a organização de portfólio e capacidade técnica podem começar antes.

Nesse contexto, três frentes merecem atenção: o túnel e suas instalações, os acessos e empreendimentos associados e os investimentos que eventualmente sejam estimulados pelas transformações na mobilidade regional.

Santos AE mostra como o impacto pode ultrapassar a estrutura do túnel

Um exemplo concreto dessa ampliação está no empreendimento Santos AE, no bairro Macuco.

Em 29 de julho de 2026, a Prefeitura de Santos anunciou a assinatura da Ordem Inicial de Serviços para elaboração dos projetos e implantação do complexo. A proposta prevê 1.769 unidades habitacionais e investimento estadual de R$ 585,3 milhões, além de infraestrutura urbana e condominial.

A programação divulgada contempla comércio, áreas verdes, equipamentos de lazer, saúde e educação, espaços corporativos, auditório e restaurante.

O projeto está relacionado à requalificação da área de acesso ao túnel, mas constitui um empreendimento próprio e não deve ser confundido com o contrato da travessia.

Para o mercado de projetos, esse tipo de complexo permite visualizar demandas em arquitetura, implantação, estruturas, instalações, paisagismo, acessibilidade e ambientes internos.

Isso, entretanto, não significa que cada uma dessas disciplinas esteja sendo contratada separadamente. A modalidade anunciada para o Santos AE reúne projeto e execução sob responsabilidade da empresa contratada.

Arquitetura: a infraestrutura precisa se conectar à cidade

Na arquitetura, as possibilidades começam justamente na relação entre a grande infraestrutura e o uso cotidiano da cidade.

O sistema prevê prédios de acesso e intervenções urbanas, o que acrescenta ao projeto questões relacionadas à circulação, acessibilidade, orientação dos usuários, organização de fluxos e integração dos ambientes de apoio com os equipamentos técnicos.

A discussão deixa, portanto, de tratar apenas de por onde os veículos irão passar.

Também envolve como as pessoas chegam aos acessos, circulam pelos espaços e se relacionam com a infraestrutura instalada no entorno.

Nos empreendimentos complementares, escritórios de arquitetura podem ainda avaliar oportunidades em estudos de viabilidade, edificações de uso misto, habitação, equipamentos coletivos e adaptações de imóveis existentes.

Para pequenos e médios escritórios, participar não significa necessariamente assumir um projeto inteiro. A oportunidade pode estar em um escopo específico e compatível com sua capacidade técnica.

Instalações ganham importância na operação

Por trás da travessia existe uma ampla rede de sistemas técnicos.

A documentação da concessão contempla eletrificação, iluminação, telecomunicações, controle e automação, instalações prediais, estruturas de suporte, monitoramento e sistemas de atendimento a emergências.

Para projetistas de instalações, isso cria diferentes áreas a serem acompanhadas, como distribuição elétrica, iluminação, comunicação, supervisão de equipamentos e infraestrutura das edificações operacionais.

Os sistemas críticos de uma infraestrutura de transporte, entretanto, exigem conhecimentos e qualificações específicos.

Além deles, existe a frente relacionada às edificações e intervenções urbanas associadas, nas quais podem surgir demandas por instalações elétricas, hidrossanitárias, climatização, prevenção de incêndio e infraestrutura de dados.

Nesse campo, a capacidade de integração entre disciplinas tende a ter peso importante: os sistemas precisam funcionar, ocupar adequadamente os espaços disponíveis e permitir manutenção sem gerar conflitos com arquitetura, estrutura e operação.

Estruturas: oportunidades vão além dos módulos submersos

A parte mais conhecida do túnel utiliza grandes módulos de concreto produzidos em doca seca, posteriormente transportados e posicionados no canal.

É uma etapa de alta especialização e que não deve ser interpretada como um mercado acessível indistintamente a qualquer projetista estrutural.

O empreendimento, contudo, também contempla acessos, drenagem e outras estruturas necessárias à implantação.

Nesse cenário, escritórios podem analisar oportunidades em edifícios de apoio, fundações, contenções, estruturas secundárias, detalhamento, compatibilização, revisão e suporte técnico, sempre considerando experiência comprovada e requisitos contratuais.

Nos imóveis e empreendimentos do entorno, novas construções ou adaptações de uso também podem exigir avaliações estruturais, reforços ou novas fundações.

São possibilidades a serem verificadas individualmente, e não serviços automaticamente gerados pela existência do túnel.

Paisagismo entra na integração entre acessos e bairros

Os espaços externos também fazem parte dessa transformação.

A documentação da concessão inclui o revestimento vegetal entre os elementos do sistema sujeitos à conservação. Isso não representa, por si só, o anúncio de parques ou praças específicas, mas demonstra que o tratamento das áreas externas faz parte do universo de intervenções do empreendimento.

Para paisagistas, uma das frentes possíveis está na relação entre acessos, percursos de pedestres, áreas de permanência e espaços livres.

Vegetação, sombreamento, pavimentação, mobiliário e iluminação precisam ser analisados em conjunto com drenagem, redes enterradas, circulação e visibilidade.

Mais do que uma função estética, o paisagismo pode participar da solução de questões de conforto, acessibilidade, utilização e manutenção dos espaços.

Interiores: oportunidades estão nas edificações

Projetos de interiores podem parecer distantes de uma grande travessia submersa, mas a relação se torna mais clara quando são consideradas as edificações que abrigam pessoas e atividades.

Dependendo do programa arquitetônico definido, ambientes de apoio à operação podem envolver postos de trabalho, áreas administrativas, recepções, salas de reunião e espaços destinados às equipes.

Nesses locais, podem ser necessários estudos de layout, ergonomia, mobiliário, iluminação, acústica e especificação de materiais.

Há também a frente relacionada aos empreendimentos complementares. O Santos AE, por exemplo, prevê espaços corporativos, auditório e restaurante, tipologias nas quais projetos de interiores podem assumir papel relevante.

Existe ainda a possibilidade de estabelecimentos privados do entorno decidirem reformar ou adaptar seus imóveis diante das mudanças urbanas.

Essa hipótese, no entanto, depende das decisões de cada proprietário e das condições econômicas dos negócios. Não é possível afirmar que a construção do túnel necessariamente provocará aumento generalizado das reformas.

Transformações também alcançam o Guarujá

No lado do Guarujá, os acessos ao túnel já aparecem relacionados a outras discussões sobre infraestrutura.

Em março de 2026, a Prefeitura informou a realização de uma reunião para tratar das conexões entre os acessos ao túnel, o aeroporto e a segunda fase da Avenida Perimetral, com atenção aos impactos sobre Vicente de Carvalho.

Embora sejam empreendimentos distintos, existem interfaces territoriais entre eles.

Esse cenário reforça a necessidade de os escritórios observarem a transformação regional como um conjunto de projetos, e não apenas como um único contrato de engenharia.

Acessos, edificações, reformas, equipamentos urbanos e adequações de espaços existentes podem entrar nessa análise.

Os impactos, porém, não necessariamente serão iguais em todos os bairros. Alterações de circulação também podem provocar restrições temporárias, mudanças de acesso e necessidade de adaptação para atividades já instaladas.

Por isso, é importante evitar a suposição de que o túnel resultará automaticamente em valorização imobiliária ou crescimento uniforme da demanda.

Como pequenos e médios escritórios podem se preparar

Para empresas interessadas em acompanhar esse mercado, o primeiro passo é entender com precisão qual problema conseguem resolver.

Em vez de oferecer genericamente todos os serviços disponíveis, o escritório pode apresentar competências específicas: compatibilização de instalações, estruturas secundárias, acessibilidade, paisagismo de áreas externas ou interiores de ambientes operacionais, por exemplo.

Também é necessário identificar quem poderá contratar cada especialidade.

A prospecção pode envolver concessionária, empresas de engenharia, responsáveis por empreendimentos complementares, construtoras e proprietários de imóveis, sempre com a verificação do estágio e da existência concreta da demanda.

Portfólio, equipe, entregáveis, prazos, experiência em coordenação e capacidade de acompanhamento técnico também precisam estar preparados para esse tipo de aproximação comercial.

Parcerias entre diferentes disciplinas podem ser uma alternativa para ampliar capacidade, desde que responsabilidades e interfaces estejam claramente definidas.

O objetivo não precisa ser demonstrar capacidade para realizar tudo. Pode ser mais estratégico comprovar competência para executar um escopo bem definido.

Oportunidade de mercado não significa contrato disponível

A dimensão do Túnel Santos–Guarujá pode gerar uma percepção de que existe um grande volume de contratos imediatamente aberto ao mercado de projetos.

Os documentos e anúncios analisados, entretanto, demonstram a existência das obras e das diferentes frentes técnicas, mas não apresentam uma lista de subcontratações disponíveis para todas as especialidades.

Parte da cadeia de engenharia já começou a ser estruturada. No próprio projeto do túnel, por exemplo, já foi divulgado um consórcio responsável por atividades de apoio de engenharia, revisão e coordenação técnica.

Antes de preparar uma proposta, portanto, os escritórios precisam identificar quem responde por determinado serviço, se haverá contratação externa, quais requisitos técnicos serão exigidos e em qual momento uma seleção poderá ocorrer.

Também não é possível utilizar o investimento global de R$ 6,8 bilhões como referência direta do mercado de honorários de projeto. O valor total engloba o empreendimento e não representa recursos disponíveis exclusivamente para escritórios ou projetistas locais.

Crescer exige avaliar a própria capacidade de entrega

Encontrar uma oportunidade é apenas a primeira etapa.

Antes de assumir novos contratos, o escritório também precisa avaliar sua capacidade para executá-los sem comprometer as entregas existentes.

Isso envolve calcular horas de trabalho por disciplina e etapa, esforço de compatibilização, revisões, visitas e acompanhamento técnico.

A análise permite decidir se o melhor caminho é assumir integralmente determinado escopo, estabelecer uma parceria ou participar apenas de uma etapa específica.

Em projetos dessa dimensão, crescimento comercial precisa vir acompanhado de condições para manter qualidade, prazo e resultado.

Uma obra, diferentes escalas de oportunidade

O Túnel Santos–Guarujá pode ser observado em três escalas.

Na primeira estão as especialidades diretamente ligadas à infraestrutura e à operação da travessia. Na segunda aparecem os acessos, prédios de apoio, edificações e intervenções urbanas associadas. Na terceira estão eventuais transformações e investimentos no entorno, cuja realização dependerá das decisões dos agentes públicos e privados.

É justamente nessa combinação que arquitetura, instalações, estruturas, paisagismo e interiores podem encontrar diferentes possibilidades de atuação.

Nem todo escritório interessado nesse mercado precisará participar do trecho imerso do túnel. A oportunidade pode estar em uma edificação de apoio, uma estrutura secundária, uma área externa, um ambiente corporativo, uma intervenção de acessibilidade ou um empreendimento complementar.

Para os profissionais do setor de projetos, talvez a questão mais útil não seja apenas “como participar da construção do túnel?”.

A pergunta pode ser mais objetiva:

“Qual necessidade de projeto, dentro dessa transformação regional, o meu escritório está preparado para atender?”

▶ Assista ao vídeo e veja, de forma prática, onde estão as oportunidades ligadas ao Túnel Santos–Guarujá — da arquitetura e estruturas às instalações, paisagismo, interiores e aos novos projetos que podem surgir no entorno.