12 Projetos que mostram o impacto da iluminação nos espaços interiores

Postado em 18 de junho de 2021 por

A luz é um elemento mais do que fundamental na arquitetura. No princípio, o sol e o fogo eram as nossas únicas fontes de luz e calor, entretanto, nos dias de hoje a tecnologia nos permite recriar artificialmente todas as qualidades da iluminação natural. As novas tecnologias LED possibilitaram inclusive a incorporação da luz em mobiliários, superfícies e acabamentos, transformando a nossa própria percepção da arquitetura e do espaço.

Se utilizados de forma inteligente e criativa, sistemas de iluminação podem nos proporcionar muito mais do que apenas uma fonte de luz. Um bom projeto luminotécnico pode ser capaz de criar atmosferas, despertar emoções e transmitir mensagens. Por exemplo, a iluminação indireta nos permite destacar objetos e elementos construtivos, separando paredes do piso e do forro e fazendo com que o espaço pareça maior e mais leve. Por outro lado, luzes de tons amarelados e quentes ajudam a regular a temperatura de um determinado espaço, proporcionando uma maior sensação de aconchego e bem estar.

Para saber mais sobre o tema e para descobrir como um bom projeto de iluminação pode nos ajudar a transformar as características de nossos espaços habitáveis, acompanhe a seguir.

A luz que nos permite enxergar é composta de ondas eletromagnéticas que se enquadram em uma certa faixa de comprimentos de onda. Nossos olhos detectam apenas aquelas faixas inseridas no chamado “espectro visível”; qualquer comprimento de onda electromagnética fora destes limites é invisível aos nossos olhos, como raios gama, os raios-X e também os raios ultravioleta. Dentro do espectro visível, as fontes de luz utilizadas na arquitetura são normalmente categorizadas em “iluminação ambiente, de tarefa, de realce e decorativa”. Cada categoria tem um propósito diferente, portanto, ao projetar um espaço, é importante entender como os diferentes níveis de iluminação podem se complementar e influenciar a nossa percepção do espaço.

A cor é também é um elemento fundamental em um projeto de iluminação. As coes e matizes emitidos pelas fontes de luz utilizadas pode impactar em nosso humor e na forma como as pessoas se relacionam umas com as outras. Na iluminação artificial, a temperatura da cor se refere à sua tonalidade, podendo variar de tons mais quentes, ou seja aqueles mais próximos do laranja, a mais frios, mais próximos do azul. Luminárias brancas quentes são frequentemente utilizadas em espaços residenciais para criar uma atmosfera mais aconchegante, enquanto a luz branca neutra e fria serve para propósitos de produtividade e concentração, sendo amplamente utilizadas em espaços comerciais, salas de aula e escritórios. Mas não é só isso, alguns arquitetos tem ampliado esta gama de tons possíveis, optando por diferentes matizes capazes de provocar distintas sensações e revelar espaços nunca antes explorados.

Apartamento Spectral / BETILLON / DORVAL‐BORY

Um projeto de reforma de um pequeno ateliê parisiense em que a falta de luz natural levou o cliente a pedir que interferíssemos particularmente na questão da iluminação artificial. Para tanto, a equipe de projeto escolheu adotar uma “abordagem binária radical” investigando a qualidade do espectro de duas fontes diferentes de luz artificial. Então, eles exploraram as qualidades do espectro luminoso dessas várias fontes de luz para assim criar uma arquitetura que considera e inclusive utiliza suas qualidades especiais. O apartamento é projetado em uma expressão simples e neutra, sem cores ou detalhes especiais, eliminando qualquer expressividade ou narrativa arquitetônica e deixando apenas a lógica da composição gerada pela luz.

Um homem, seu bulldog, uma horta e a casa que compartilham / Husos Architects

Este é um projeto de reabilitação social e bioclimática de um pequeno apartamento de 46 metros quadrados para Jaime, médico de emergência e Almondega, seu bulldog. Como Jaime tem horários de trabalho muito diferentes, ele se recupera dos turnos noturnos tirando sonecas durante o dia. Portanto, em vez de se concentrar no dormitório como uma área única para descanso, criou-se um cápsula-periscópio como local para o cochilo na sala de estar, que é uma alternativa à cama. Além disso, serve para receber companheiros íntimos. No caso de encontros ocasionais, a sala é frequentemente um lugar central na cultura sexual gay em Madri, muitas vezes reservando o dormitório apenas para relações mais próximas.

Cabana (sinantro) amor, morada do tele (trabalho) / Husos Architects

Este projeto consiste em uma cabana sócio-bioclimática e multifuncional para um casal de migrantes e sua extensa família. As suas cores lilás e violeta recriam fragmentos imaginários de paisagens da América do Sul, de onde se origina esta espécie de árvore (Jacarandá) e a sua flor, assim como esta família. Esta membrana dá privacidade e, ao mesmo tempo, representa este lar não heteronormativo e transnacional.

Option Coffee Bar / TOUCH Architect

O Option Coffee Bar está localizado no centro da cidade de Udonthani, Tailândia. O espaço principal foi pensado para acolher três diferentes funções de acordo com o horário do dia: um café, um bar e um restaurante, todos integrados em um único espaço. Como a função varia de acordo com o tempo, o projeto de interiores do café foi desenvolvido de forma a permitir uma maior flexibilidade de usos e organizações espaciais. A estrutura principal está composta por uma caixa branca simples, a qual encontra-se segmentada por dois elementos: um ‘transparente’ e outro ‘translúcido’. A fachada para a rua representa a parede translúcida, a qual é foi construída a partir de uma camada dupla de policarbonato, permitindo uma iluminação difusa dos espaços interiores ao mesmo tempo que projeta uma profusão de luzes e sombras criando um jogo dinâmico entre os espaços interiores e exteriores. Com esta manipulação criativa da luz, os espaços do Option Coffee Bar despertam as mais variadas emoções em quem frequenta o espaço e também em quem apenas passa pela rua do lado de fora.

D-Edge / Muti Randolph + Marcelo Pontes + Zemel + Chalabi Arquitetos

Inaugurado em 2003, o clube de música eletrônica D-Edge, passou por um inteligente processo de reforma no início de 2011. O objetivo da reforma era ampliar a casa que não conseguia mais receber todos os dias. De acordo com Muti, “É uma experiência envolvente que em que o público vivencia as ondas sonoras. A arquitetura do espaço muda conforme a música”. O projeto luminotécnico foi concebido para criar formas e cores dinâmicas, as quais variam de acordo com a música que está sendo tocada.

DOJO Saigon / T3 ARCHITECTS

A T3 Architects projetaram o primeiro “Dojo” na cidade de Saigon, Vietnã. Implantado em um pequeno jardim de uma antiga villa em estilo francês, a qual será alugada como parte do complexo para a prática de judô disponibilizando espaços de co-working para os praticantes desta arte-marcial. Desta forma, a T3 decidiu implantar a circulação principal através do edifício existente, o qual abriga o novo vestiário.

Centro de Congressos e Auditório de Plasencia / Selgascano

O objetivo com o projeto do Centro de Congressos e Auditório de Plasencia era criar um edifício visível à distância, cobrindo todo o eixo visual de norte a sul. É por isso que os arquitetos projetaram a estrutura como uma forma luminosa, servindo como um farol de luz tanto de dia quanto de noite. Devido à sua fachada iluminada, os transeuntes que por ali passam são pegos de surpresa, sem saber exatamente onde encontra-se o edifício.

Rombo IV / Miguel Angel Aragonés

O Rombo IV é um espaço privado com três residências e um estúdio, em uma região central e arborizada da Cidade do México chamada Bosques de las Lomas. O arquiteto deixou de lado o tato e a expressão dos materiais, criando uma estrutura toda branca e ornamentada pela luz natural e artificial e pela exuberante paisagem que a circunda.

James Turrell: Transformação da Rotunda do Guggenheim

O artista americano James Turrell é conhecido mundialmente por seu fascínio pela luz. Ele explica que a luz não é apenas uma ferramenta que nos permite enxergar, mas algo que também merece ser visto e percebido por nossos sendos. Para intensificar a experiência do azul do céu, Turrell nos convida a entrar em um espaço que gradualmente se apaga; ele diz que “… quando subimos em uma montanha, a uma altitude tão elevada, somos capazes de perceber o azul do céu de forma tão nítida que é como se pudéssemos tocar-lo. Esse é o tipo de céu que desejo criar em minhas obras. Existem gradações próximas ao horizonte onde o azul é mais claro e, então, gradualmente, em direção ao zênite, ele se aprofunda. Com a cratera Roden, tirei os primeiros quinze graus de altura ao apontar as linhas de visão do túnel acima desse nível. Nesse ponto, você vê trinta graus a menos do que cento e oitenta graus. É assim que você consegue focar naquela cor incrível – eliminando todos os tons mais claros próximos do horizonte.”

Loja Misci / Babbie Arquitetura e Interiores + Airon Martin

Misci vem de miscigenação, base da identidade brasileira, o cruzamento de etnias; caldeamento; mestiçagem; mistura. De desenho simples, o projeto faz uma alusão sofisticada à estética das construções vernaculares, com cores e texturas terrosas. Optou-se por deixar todos os planos seguindo a mesma cor e trabalhando a iluminação no rodapé negativo, trazemos a leveza que o projeto pedia diante de todo o contexto fortemente afirmado.

Armani Quinta Avenida / Massimiliano & Doriana Fuksas

O núcleo do projeto é sua escadaria monumental; uma estrutura forjada como a grade de um radiador de aço, a qual encontra-se coberta com um material plástico que cria uma aparência escultural.

Projeto de Reforma do Philadelphia Museum of Art / Frank Gehry

O Museu de Arte da Filadélfia abriu suas portas ao público no início de maio deste ano, após a conclusão de uma extensa reforma que durou quatro anos. A intervenção levada a cabo por Frank Gehry e sua equipe, concentrou-se na renovação da infraestrutura do museu e na criação de novas galerias e espaços públicos, preservando as características originais do edifício de 1928. Para criar uma ilusão de ótica capaz de ampliar a percepção do espaço, a equipe de arquitetos criou uma série de elementos de iluminação embutidos no forro do edifício.

Fonte: www.archdaily.com.br

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