Integrar para ensinar melhor

Postado em 1 de outubro de 2020 por

O MOTE DO PROJETO PARA A RHYZOS EDUCAÇÃO RESULTA DE DOIS CONCEITOS: TROCAS E REAPROVEITAMENTO. O PRIMEIRO REFERE-SE À INTENÇÃO DE APROXIMAR OS USUÁRIOS EM UM ESPAÇO SOB MEDIDA PARA DIFERENTES ATIVIDADES PEDAGÓGICAS COMPARTILHADAS, SUGERIDO PELA PLANTA; O SEGUNDO DIZ RESPEITO AO REÚSO DO MOBILIÁRIO PREEXISTENTE, QUE NORTEOU A CONFIGURAÇÃO DOS INTERIORES

Como sugere o próprio nome – “raízes”, em tradução livre do grego -, a Rhyzos Educação adota uma fórmula rizomática para desenvolver e investir em negócios e iniciativas de educação básica. Na prática, basta dizer que a empresa oferece consultoria e treinamento para professores e escolas, com base em oficinas e workshops pautados em conteúdos tecnológicos. A ideia é que, se compartilhados em um mesmo espaço, tais encontros potencializem e multipliquem o processo de aprendizagem.

Esse critério norteou o desenho da sede da Rhyzos, na capital paulista, assinada pelo Carolina Penna Arquitetos. O primeiro encontro entre escritório e cliente deu-se em um evento voltado à inovação no campo da educação, do qual Carolina Penna participou, convidada a falar sobre novas propostas de espaços educativos. A parceria estabelecida posteriormente recuperou então conceitos discutidos naquela primeira ocasião: “Nossa ideia foi criar um lugar bem dinâmico, aberto e integrado, onde as oficinas e workshops pudessem acontecer no espaço como um todo”, explica a arquiteta Carolina Penna.

Com 200 metros quadrados, o projeto implantado em um prédio no Campo Belo, bairro da região sul de São Paulo, resgata a linguagem industrial do edifício – efeito notado pelos fechamento em blocos de concreto e pela infraestrutura elétrica aparente. Essa foi a atmosfera definida no partido arquitetônico e que desenha, também, as novas divisórias envidraçadas das salas de apoio e o FabLab (oficina). Aparece, ainda, na especificação de tradicionais luminárias com fluorescentes junto ao teto preto: “Nós abraçamos essa simplicidade”, complementa Carolina.

Diante das limitações de um típico conjunto comercial, os “espaços de congregação” – tão valiosos no uso educacional, expressos geralmente em formato de pátios – ganharam tradução, na Rhyzos, em uma clareira circundada pelos ambientes de apoio, que a abraçam, conforme a conduta seguida pelo escritório: “Criamos uma grande área no miolo, o ‘core do projeto’, que é um saguão de encontros, junto às áreas secundárias que ‘orbitam’ o tal centro“.

Competia ainda desenvolver a planta em função do reaproveitamento de itens de mobiliário preexistentes, sobretudo estações de trabalho. Funcionando como elemento de ligação, a estante – maior peça de marcenaria, desenhada especialmente para o caso -, foi concebida também para auxiliar, no centro, a dividir visualmente o saguão principal da recepção.

Um outro diferencial veio da elaboração de peças – no plural, pois não somente a estante foi projetada, mas os aparatos para copa, por exemplo – por meio da plataforma Opendesk. Não foi o primeiro contato do Carolina Penna Arquitetos com a rede, porém, diante das premissas rizomáticas da Rhyzos, a equipe lançou mão desse método para a elaboração de marcenaria digital globalizada – e incluiu na sala de reuniões uma mesa gerada nesse sistema. Trata-se de uma ferramenta que concentra designers e produtores de mobiliário cadastrados pelo mundo, disponíveis para trabalhar sobre um catálogo adaptável às exigências do cliente, incluindo medidas e acabamentos.

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